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3 de mai de 2009

O QUE ACONTECEU COM A ORTOGRAFIA?

                                           

 

 

 

 O QUE ACONTECEU COM A ORTOGRAFIA?

MNEMÔNICA-

Aprenda fácil com o método de letras e termos personificados


Mírian Cavalcanti prado

                                                                                  

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Para os mais conservadores, a cena não foi das melhores de se ver.
Resolveram passar um trator na velha ortografia deixando em vigor o que achassem por bem.
Tudo começou com a ideia de endireitar a própria “ideia”. A queda do seu acento não significava necessariamente que ela estivesse errada. Mas a imposição dos mais fortes sem contestação fortaleceu à luz das suas razões.
Justificaram o crescimento do alfabeto e nele foram incorporadas as novas letras K, W e Y. É bem verdade que se tratava de acolhimento de filhas de país estrangeiro. Além de alheias e importadas, de quebra as dondocas não eram nenhuma novidade no nosso meio.
Outras situações oportunas davam conta de que o emprego do TREMA dado como morto não passava de uma pseuda aparência de “u” pingado, sem função.Considerado como a única iniciativa cuja retirada não provocou maiores “consequências”, sem polêmica e sem qualquer controvérsia já havíamos chegado à conclusão: a pintinha duplicada só servia mesmo para encher “linguiça”. Hoje, o TREMA jaz no túmulo e o “tranquilo” na reforma brilha “tranquilamente” para descanso dos mais acomodados que não mais precisam voltar a caneta atrás e desenhar os pinguinhos nos “us” do sagui, frequente, cinquenta e outros que ninguém mais “aguentava”; com aqueles bordadinhos inocentes em escritos sérios.
Já não era sem tempo.
Houve muita polêmica em torno de muitos “ós” juntos. Lá estava o excesso que poluía o visual. Neles fizeram um rapa dos chapéus nos primeiros “ós”: perdoo, moo, coo, soo, abençoo, magoo, enjoo... E, nem “perdoo” foi perdoado. O “voo” ficou rasante sem força para decolar e os seus irmãos consanguíneos todos a desejar na entonação.

Na questão do significado das palavras pelo sentido da frase, causou espécie o assunto que tipifica a questão em torno de “pelo” e sua representação na grafia.
Antes da Reforma em vigor, o emprego não se misturava, consistia em três palavras clonadas cuja função se identificava pelo disfarce que entre elas se fazia:

“Pelo” assim lisinho e sem sinal era (preposição).

“Pêlo” com chapéu, respondia por (substantivo).           

“Pélo” (do verbo pelar) se marcava pelo agudo.

Tais palavras repetidas se organizavam neste palco muito mais iluminado.Chapéus, espadas, chifres, ferrões, bonés e outros tipos de enfeites eram como todas as diferenciações se resolviam.
Nossos textos bem elaborados fundamentavam-se coerências e muita criatividade até que chegou a ordem para apertarmos o cinto na economia dos sinais:
Demitiram acentos aqui e acolá e com usura foi deixado estar o “pelo” peladinho como nasceu. O mesmo que agora serve-se a toda e qualquer ocasião, repetidas vezes, sem grifo e sem identificar quem é quem.

Distingui-los quem há de? Iguaizinhos} sem pelo no pelo...
No tripé da situação, a sina é deixada estar tudo o que a novidade impusera. Construída como quê, a seguinte frase, atual, sacode a imaginação na tentativa de descobrir o sentido.Impotentes, procuramos na meada do impossível aceitar empregos como este:

“Pelo pelo pelo menos uma vez por mês.                                  

Antes: Pélo pêlo pelo menos uma vez por mês.

Tais ditames modernos que manipularam nações, saídos do forno seriam influência d’além-mar? Seja de quem for, tudo indica decisão infeliz. Ora essa! Nós que tanto apreciamos as boas construções!

Mas levando-se em conta que do lado de lá tem gente enxugando o “húmido” com “h” como se enxugasse gelo...Logo, esse exemplo do lado de cá, tão questionado, é fichinha.

Outros desse tipo, exemplarmente, aqui demonstram:

“Pólo” (subst.) e “polo” (por+lo)= polo
“Pára” (verbo) e “para” (prep.)= para
“Pêra” (subst.) e “pera” (ant.para)= pera
“Côa” (verbo) e “coa” (com+a) = coa (Também sem acento, cada dupla é identificada apenas pelo sentido na frase).

Ao contrário de “pelo”, três casais tomaram outra dimensão.Por pouco não estariam no rol dos condenados:
Os espertalhões de cada dupla protegeram-se contra a varredura da mudança escapando pela tangente, do apagão da maldição. Com seus capotes agarrados nos seus cocurutos em meio as ofensivas, mantiveram-se presos, dentro de seus abrigos.
Na mesma vidinha antiga, certamente, entretinham-se a quatro paredes fazendo o seu tricôt, pitando o seu cigarrinho de palha, na tentativa de honrar a tradição do seu marco de origem.
Finalmente, um membro de cada casal da categoria que abaixo se define como arrogante prima pela seguinte diferença sobrevivida entre ambos:

- “Pôde” (forma verbal do pretérito); mostra para o seu par: a (preposição) “pode”, o seu boné levantado do alto do seu topete dizendo que é chifre de corno e que prefere com orgulho, ser assumido, a se misturar.

- “Pôr” é um verbo encarrapitado que esnoba para a companheira “por”, (preposição), a carapuça que lhe assenta muito bem.Sem o mesmo favorecimento ela lamenta não poder fazer, com carrapito, o mesmo que ele.
-
-A coroa de rei está também na (fôrma) de bolo. Topetudo, o vasilhame (pode se acentuar ou não); mas prefere fazer da saliência na cabeça o seu diferencial.Mostra que está aquém da “forma” corporal que, para alcançar a coroa, tem muito que exercitar.

A Reforma não abre mão do pecado cabeludo do acento proibido em:
Heroico, apoio, ideia, assembleia, plateia, galileia, hebreia, coreia, paranoico, jiboia...

O erro significa macular a honra dos ditongos, acentuando “ei”,"eu" e “oi” das palavras paroxítonas (as que têm penúltima sílaba mais forte).

Aliás, a queda do acento, em contrapartida, fez reatar, em tempo, amizades entre inimigos dada a mesma situação em comum que o destino impusera:
Os fracassados do desmanche atual, juntam-se àqueles de outrora para comungarem entre si à mesma lamentação:
A Serpente “jiboia”, por exemplo, aquela com pintas tirantes a amarelo ouro desmarcada recentemente; agora se iguala ao “medo” seu ex-rival, que há muito não se posa de chapéu.
É deprimente! Para quem no passado se gabava de tantas cabeças feitas com o seu pânico espalhado contra o próprio bicho peçonhento.Hoje, quem diria? O “medo” sem cobertura! Nem um velho boné há para fazer honras à chegada do réptil no seu reduto, sem mais perigo do ferrão. Em igualdade consigo, o “medo” mofino, que há muito sofreu amputação, não mais se arremete contra a chegante mansa e conformada que, como ele, está desarmada, longe de ser a temida serpente da antiguidade.

A reviravolta sofrida na linguagem foi feia. Por falar em feia, seu derivado “feiura” então, ficou horrível sem o topete da salvação que lhe amenizava o trejeito.
Lamentavelmente, entre outros, “boiuno” foi outra vítima da vez, que teve o chifre arrancado.
Também pudera, vindo depois do ditongo, (junção de duas vogais), não há tônico sobre “i” ou “u” que se vingue nessa leva de paroxítonos.

Nos derivados dos verbos crer, dar, ler, ver não sobraram pedra sobre pedra. Num ato injusto dos tempos de lampião já chegaram chegando, derrubando os chapéus dos pobres “decorrentes” sem dar a mínima para o carimbo da tradição, ignorando a essência das formas que da seguinte maneira justificam o porquê da acentuação:

“Creem” (Toda expressão de fé carece ser marcada).
“Deem” (o ato de doação foi sempre assinalado pela gratidão).
“Leem” (pelo diferencial que confere, à leitura faria jus à conservação do marco ).
“Veem” (O dom da visão é um sinal há muito consagrado).

Será que quem dá, quem lê, quem crê e quem vê merece ser vilipendiado?

“Energúmeno” é um exemplo assinalado que, pelo significado que tem, nem deveria constar da lexicografia. Passou pela tempestade despercebido, injustamente. No entanto, vacinado contra calvície, imune, (pelo menos por um bom tempo); ostenta o seu troféu de tom maior na antepenúltima sílaba enquanto na verdade ele não é ninguém.Não passa de sinônimo de endemoninhado.

Mas, deixa estar. Queira Deus, muito brevemente, numa possível Reforma, os homens vão excluir também a marca dos proparoxítonos, (o acento tônico na antepenúltima sílaba), arrancando seus topetes pela raiz. Até parece serem eles todos, uns eternos aposentados pela acentuação que vêm mantendo à mão de ferro sem dar nenhuma brecha à exceção.

A máquina zero chegou também nas formas verbais que têm o “u” forte nos grupos gue, gui, que, qui. Depois da tosa o “u” precedido de g ou q e seguido de “e” ou “i” sofreu alteração:

“Averigúe” virou “averigue”
“Apazigúe” virou “apazigue”
“Argúem” virou “arguem”.
“Redargíu” virou “redargiu”...
:
Atenção pra a variação, na pronúncia, dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir e outros da família.Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.

Para efeito de exemplo, será abordado o verbo “enxaguar”.Neste caso, è você quem decide se deve ser acentuado ou não.Tudo depende da preferência da pronúncia que faz a tonicidade no “a” ou no “u”:
Quando proferido com “a” forte, acentua-se: “enxáguo”.
-O “a” forte nesse caso, tem a marca que alveja ao retirar o sabão.
Com “u” tônico, não:
“Enxaguo”, assim, simplesmente se escreve, mas vale se concentrar apenas no “u” dito, um grito, se possível, para não incorrer no erro de não pronunciar o acento invisível mais fortemente no paroxítono apontado do que nas outras sílabas.

O “u” forte sem a marca da limpeza é puro por natureza.

Enfim, a água do “enxágue” ou do “enxague” (ú) liberta-se totalmente do sabão da limitação. No caso, a liberdade da expressão inclue-se ao caso facultativo.

Na dúvida com o emprego do hífen, nos Compostos com prefixo, destaque em cada assunto uma palavra como chave que protagonize a situação em torno da qual será facilmente absorvida a ideia, tendo em tal referência outras situações decorrentes:

1-Já não se fazem mais composto “micro-ondas” como antigamente. O prefixo insinua que o encontro da vogal repetida, pelo hífen é desmembrado.


“Micro-ondas” se separa
Pelo hífen que intromete.                  
Nele, a última do prefixo
É uma vogal que repete.

2-Já não se fazem mais o composto “inter-regional” como antigamente.O prefixo insinua que o encontro da consoante repetida, pelo hífen também é desmembrado.

No composto “inter-regional”
Onde o exemplo consolida
Separam-se pelo hífen,
Duas consoantes repetidas.

3 –O composto ”anti-higiênico” se separa; pois tem o seu hífen diante da palavra iniciada por “h”.
O composto em anti-higiênico
Impondo regra e asseio
É cortado pelo hífen
Na frente do “h”, no meio.

Exceção: subumano. (Na formação do composto, “sub” junta-se com “humano” que por sua vez perde o “h”).


4- “Antiaéreo” se junta; pois a última letra do prefixo é uma vogal que com outra diferente se encontrará.

O hífen em “antiaéreo”.
Não se mete de permeio
São duas vogais diferentes
Encontradas pelo meio.

5- “Anteprojeto” se junta, pois a última letra do prefixo encontra -se com consoante diferente de “r” e “s”.

Se depois do prefixo, contiver:
Uma consoante diferente de “r” ou “s”,
No exemplo “anteprojeto”,
O hífen desaparece.

6- A exemplo de anti e infra terminados em vogal,outros prefixos também juntam-se ao segundo elemento do composto começado por “r” ou “s” duplicados, modelando-se por “antirrugas” e “infrassom”.

Se o prefixo terminar em vogal,
Seguida de “r” ou “s”,
Duplicam-se essas letras
E o hífen desaparece.

7-Na construção de compostos com prefixo vice, “vice-prefeito” é um exemplo. Separado pelo hífen, sem qualquer exceção, de igual maneira se incluem: ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró...

O hífen que faz do vice
Verdadeira porta aberta!
Recebido no composto,
Da exceção não liberta.

8- “Pára-raios” assim, continua com o hífen, porém, sem acento em “para”, este é o exemplo, tendo como exceção, “paraquedas”. (Conforme a VOLP-2009)

O hífen cai no composto,
Como um raio, é refletido.
O para que perde o acento
Junto ao raio é partido.




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Apenas uma leitura julga-se suficiente à assimilação desse assunto básico e inovador.Depende de você. O ato de obedecer as referências entre aspas e o comando das pausas dos acentos, são imprescindíveis para não comprometer o raciocínio nem incorrer ao risco de privar algumas das partes integrantes dessa expectativa.
Para que não haja o terror do duplo sentido muito comum em explanações de pormenores desse tipo, concentre-se, pois, nas particularidades do que se lê.
Com os meus votos de sucesso, tenha você um inesperado retorno.
Mírian

20 comentários:

  1. Maria Inês Menicucci8 de maio de 2009 08:53

    Parabéns, Mirian,Criativa, vc se tornou dígna das nossas mais nobres admirações.
    Continue sempre assim,com o diferencial que sempre digo;extrapolando as nossas expectativas.
    Até mais, bjos.
    Inês

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  2. Mírian,
    Sua idéia genial, está bombando por aqui.
    Conforme você disse, uma leitura apenas foi o suficiente para dominarmos o aprendizado.
    Obrigada pela oportunidade.
    Abs Camila

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  3. isabel maria ribeiro drumond10 de maio de 2009 23:46

    Oi Mírian Cavalcanti,
    sou professora de português em Niterói e muito me honra, este blog.
    Esta é a terceira vez que entro nessa página e não fica por isso.Sempre estarei visitando este blog pois, para nós,que ensina,este blog é tudo de bom.
    Parabéns pelo contexto,pelos links essenciais
    daqui constados.
    Isabel

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  4. Júlio Campolina11 de maio de 2009 09:01

    Somos do GERS (Grupo estudo do Rio sulense).
    Comunicamos que esse método veio somar muito no nosso meio.Posteriormente estaremos tirando-dúvidas também.
    Parabéns, inédito!!!!!!

    Júlio C.Campolina

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  5. Maricy Fernandes14 de maio de 2009 04:44

    Mírian,
    Ideal esse blog, bem como essa tecnica engraçada que você criou. Nós daqui de Aracati só temos que agradecer.Estamos seguindo orientações por ela.
    Atenciosamente,

    Maricy

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  6. Oi, Mírian!
    KD vc?já tentei enviar mensagens e não consegui.Outras não deu pra ver aqui.
    Gostei dessa ideia ,(sem acento, né)?
    Dessas e das demais. Chics, chics, chics ...
    BEIJÂO
    Júlia Teixeira -Cesin

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  7. Para Júlio Linhares,Jéssica Maria,Ariadne Moreira,Nayde Maria,João jorge Meira que me enviaram e-mails em razão do difícil acesso dos comentários.Se não resolver com atualizações,podem mandar e-mails como já o fizeram.Eu às vezes demoro mas não esqueço de responder.Conforme já foi dito, estou fazendo algumas modificações nas horas vagas.
    Obrigada, bjos.
    Mírian

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  8. Meus Parabéns pela jogada certeira. Esse é o método! Sem comentários.
    importante!
    Alguém, de São José dos Campos S.P

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  9. É de pessoas como você que precisamos no universo.
    Não pare nunca,Mírian, siga em frente.
    Este blog é o meu lenitivo nos males da linguagem.
    Saiba que foi muito oportuno para quem não gosta de ler; é muito chamativo.
    Continue com esse dom que só Deus, poderá lhe conceder.
    Muita saúde e disposição a você e todos os seus.
    Prof. Júlio César (Formosa Go.)

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  10. Ola Miriam,

    Adorei o texto as imagens, se possivel gostaria de colocar em meu blog, claro com a sua autorização.
    segue o link para que vc de uma olhada.
    aquietudonafaixa.blogspot.com

    Fico no aguardo.
    PArabens.
    Ana

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  11. PARABÉNS MÍRIAN!!!
    ESTE TEXTO É MUITO INTELIGENTE! FANTÁSTICO! DE UMA EXCELÊNCIA A TODA PROVA!
    FÁCIL DE SE ASSIMILAR E DEVERIA CIRCULAR NAS PRINCIPAIS BIBLIOTECAS>>>

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  12. AMEI!!!!!
    Aleluia. Até q enfim, aprendi!!!!
    Obrigda pelo seu esforço.

    Mágda Araújo Whijin -PA

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  13. Juvencio Dutra (PE)4 de agosto de 2009 06:57

    Gosto desse modo de ensino. Aqui se aprende com ele.
    gostei

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  14. Juvencio Dutra (PE)4 de agosto de 2009 06:58

    Gosto desse modo de ensino. Aqui se aprende com ele.
    gostei

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  15. Gostaria de te add ao meu blospet.com.
    Tenho certeza q juntos somos mais.
    Esse método justificaria outras importantes idéias q tenho.
    Veja meu endereço no se "mocmi@yahoo.com.br

    Abs. Cláudio Vaz

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  16. Ideia genial. MEUS PARABÉNS

    Anna Paula Ribeiro (Montes Claros -MG)

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  17. Gostei e aprendi bastante.

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  18. Mírian, por favor, vc recebeu meu e-mail?

    Beijos Thamires Augusta

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  19. Godtei de tudo nesse site.
    Amei demais.

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  20. Olha, Mírian,li e reli seu texto interessante.
    Gostaria de saber se vc interessa em vê-lo publicado no meu "encontro com as letras?"
    Meu e-mail é:
    gps@click21.com.br
    Bjos.
    Gilson

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